MUNDOApenas 20 garrafas do Porto Menin 80 Anos serão vendidas em pré-venda exclusiva
Divulgação Menin Porto Tawny 80 Anos é mais do que um rótulo raro: é um testemunho vivo do tempo
O topo do mercado de bebidas vive um paradoxo interessante. Enquanto faixas mais acessíveis sentem oscilações econômicas, a categoria Super Premium e acima — rótulos que custam mais de US$ 30,50 (cerca de R$ 175) por garrafa de 750 ml — continua crescendo de forma consistente há 20 anos, com apenas pequenas pausas em 2009 e em 2020, segundo a consultoria IWSR.
É nesse andar de cima que começam a surgir as chamadas joias líquidas.
Um dos exemplos mais emblemáticos desse movimento acaba de pousar no Brasil: um vinho do Porto com 80 anos de envelhecimento, elaborado pela Menin Douro Estates, em edição hiperlimitada.
São apenas 20 garrafas destinadas ao país, parte de um lote global extremamente restrito, com preço sugerido de R$ 20 mil cada, em pré-venda exclusiva pela Menin Wine na Wine Trader, marketplace especializado em vinhos raros e bebidas de coleção.
Joias líquidas e o novo código do luxo
Por trás desses números está uma mudança de comportamento no alto luxo. Entre consumidores de altíssima renda, cresce a devoção a garrafas produzidas em microescala, adquiridas menos como investimento financeiro tradicional e mais como indulgência máxima.
Essas joias líquidas ocupam o mesmo território simbólico de peças de alta relojoaria, obras de arte e carros de coleção: são objetos de prazer, status e narrativa. Não se trata apenas de “ter” uma garrafa rara, mas de possuir uma história — e decidir quando, como e com quem ela será aberta.
“O céu é o limite quando falamos de joias líquidas”, observa Paulo Cesar Oliveira, sócio da Wine Trader. “Em um ambiente em que o capital financeiro já não diferencia, cresce a busca por capital cultural e social. É sobre a história por trás da garrafa, o acesso privilegiado, a certeza de possuir algo que poucos terão. Nesse universo, o vinho deixa de ser apenas bebida e passa a ser linguagem social”, diz.
Porto 80 Anos: tempo engarrafado
Guardado por décadas nas caves do Douro, em Portugal, o Menin Porto 80 Anos é elaborado a partir de vinhos selecionados ao longo de oito décadas e envelhecidos em casco. A vinícola o apresenta como um testemunho vivo do tempo, mais próximo de um patrimônio líquido do que de uma bebida do dia a dia.
São oferecidas duas versões de 500 ml, ambas com design que reforça a exclusividade. O Tawny 80 Anos tem tonalidade âmbar profunda, com aromas de caramelo salgado, especiarias, noz-moscada e laranja confitada. Em boca, textura sedosa, acidez equilibrada e final prolongado.
Já o branco 80 Anos é ainda mais raro, com base sobretudo em vinhos do Baixo Corgo, primeira sub-região produtora da área demarcada do Douro. Mostra notas de casca de cítricos, chá branco envelhecido, flores secas e um leve toque salino, em um perfil descrito como sofisticado e instigante.
Do ponto de vista de serviço, a recomendação é tratá-lo quase como um ritual. O ideal é servir sem acompanhamento a uma temperatura de 12°C.
As entregas estão previstas para meados de março, após a pré-venda, reforçando a lógica de acesso controlado e curadoria. Guardado por décadas e agora revelado em quantidades limitadas, o Porto 80 Anos da Menin Douro Estates funciona como um símbolo do novo luxo contemporâneo: tempo, memória, escassez e a disposição de transformar tudo isso em taça.
FONTE: FORBES