sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Saúde do DF investiga morte de mulher rejeitada em hospital, mas defende medidas adotadas

DF
FONTE:  Mateus Rodrigues e Maíra Alves*, G1 DF

Recepcionista Patrícia Elen, de 33 anos, que morreu na manhã desta quinta-feira (6) — Foto: Arquivo pessoalRecepcionista Patrícia Elen, de 33 anos, que morreu na manhã desta quinta-feira (6) — Foto: Arquivo pessoalRecepcionista Patrícia Elen, de 33 anos, que morreu na manhã desta quinta-feira (6) — Foto: Arquivo pessoal
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou, nesta sexta-feira (7), que está investigando as circunstâncias da morte de Patrícia Elen. A paciente, de 33 anos, teve o atendimento negado no Hospital Regional de Samambaia na manhã desta quinta (6), e morreu 40 minutos depois.
Segundo a família, a mulher já tinha sofrido uma parada cardiorrespiratória e uma sequência de convulsões. Mesmo assim, ao chegar na recepção do hospital, o setor de acolhimento rejeitou qualquer tipo de atendimento ou avaliação.
Na nota enviada à imprensa, apesar de citar a abertura de uma investigação pela direção do hospital, a Secretaria de Saúde diz que "todas as suas unidades seguem protocolos rígidos de classificação de risco". Também reconhece que a paciente "não chegou a efetuar a guia de atendimento".

Negligência, diz família

Fachada do Hospital Regional de Samambaia, no DF — Foto: Google Maps/ReproduçãoFachada do Hospital Regional de Samambaia, no DF — Foto: Google Maps/ReproduçãoFachada do Hospital Regional de Samambaia, no DF — Foto: Google Maps/Reprodução
A mãe de Patrícia, Edna Jussara Macedo, acusa o hospital de negligência e omissão. Ao G1, ela afirmou que ligou para o Samu quando a filha começou a passar mal, e foi orientada a levar Patrícia à unidade de saúde mais próxima – no caso, o Hospital Regional de Samambaia.
"Chegamos no hospital por volta das 8h30 e a enfermeira falou para levarmos minha filha para a Upa", contou Edna. “Não precisa nem entrar, aqui ela não fica”, teria dito a servidora do hospital público.
A família seguiu em direção à UPA da região – novamente, em carro próprio. Em nenhum dos dois trajetos, a Saúde do DF ofereceu uma ambulância para levar Patrícia Elen ou monitorar os sinais dela durante as tentativas.
Na nota desta sexta, a secretaria diz que, também, neste caso, o atendente do Samu seguiu o protocolo e que as ambulâncias da região estavam "indisponíveis", em outros atendimentos.
"Cabe esclarecer que o Samu possui todas as informações sobre a situação da rede e indica sempre a unidade com o atendimento mais adequado. A orientação, neste caso, foi realizada com base no local que possuía, naquele momento, profissionais disponíveis para prestar essa assistência e não na distância entre a residência da paciente e a unidade", diz o comunicado.
G1 perguntou nesta quinta, repetidas vezes, mas a Secretaria de Saúde não comentou a atitude da equipe de acolhimento do hospital ao rejeitar os primeiros socorros à paciente. Ela chegou na UPA de Samambaia desacordada e, apesar das tentativas de reanimação, não resistiu e morreu às 9h10.

Próximos passos

A mãe da vítima, Edna Jussara Macedo, com o viúvo, Rogério da Silva, segurando fotos de infância de Patrícia Elen — Foto: TV Globo/ReproduçãoA mãe da vítima, Edna Jussara Macedo, com o viúvo, Rogério da Silva, segurando fotos de infância de Patrícia Elen — Foto: TV Globo/ReproduçãoA mãe da vítima, Edna Jussara Macedo, com o viúvo, Rogério da Silva, segurando fotos de infância de Patrícia Elen — Foto: TV Globo/Reprodução
No comunicado à imprensa, a Secretaria de Saúde não diz qual é o prazo da investigação aberta, e nem o que pode acontecer caso alguma equipe seja responsabilizada. O texto também não cita nenhuma punição ou afastamento imediato para os envolvidos no caso.
Segundo a nota, o corpo "foi encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbito de Ceilândia e a família comparecerá ao local nesta sexta-feira (7) para orientações e, se necessário, autorização para a realização de necropsia".
Até as 16h desta sexta, a família ainda não tinha informações sobre a data prevista de liberação do corpo. A expectativa era de realizar o velório ainda neste sábado (8).
A recepcionista Patrícia Elen deixa uma filha de quatro anos e um casamento de mais de sete anos. O viúvo, Rogério da Silva, não se conforma com a maneira com que a esposa foi negligenciada enquanto buscava por socorro na rede pública.
"Somos tratados como um animal, como se fosse um objeto que não presta mais."
*sob supervisão de Maria Helena Martinho

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