DF
Em nota, secretaria diz que atendimento seguiu protocolo padrão. Patrícia Elen, de 33 anos, foi dispensada após parada cardíaca e convulsões.
FONTE: Mateus Rodrigues e Maíra Alves*, G1 DF
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou, nesta sexta-feira (7), que está investigando as circunstâncias da morte de Patrícia Elen. A paciente, de 33 anos, teve o atendimento negado no Hospital Regional de Samambaia na manhã desta quinta (6), e morreu 40 minutos depois.
Segundo a família, a mulher já tinha sofrido uma parada cardiorrespiratória e uma sequência de convulsões. Mesmo assim, ao chegar na recepção do hospital, o setor de acolhimento rejeitou qualquer tipo de atendimento ou avaliação.
Na nota enviada à imprensa, apesar de citar a abertura de uma investigação pela direção do hospital, a Secretaria de Saúde diz que "todas as suas unidades seguem protocolos rígidos de classificação de risco". Também reconhece que a paciente "não chegou a efetuar a guia de atendimento".
Negligência, diz família
A mãe de Patrícia, Edna Jussara Macedo, acusa o hospital de negligência e omissão. Ao G1, ela afirmou que ligou para o Samu quando a filha começou a passar mal, e foi orientada a levar Patrícia à unidade de saúde mais próxima – no caso, o Hospital Regional de Samambaia.
"Chegamos no hospital por volta das 8h30 e a enfermeira falou para levarmos minha filha para a Upa", contou Edna. “Não precisa nem entrar, aqui ela não fica”, teria dito a servidora do hospital público.
A família seguiu em direção à UPA da região – novamente, em carro próprio. Em nenhum dos dois trajetos, a Saúde do DF ofereceu uma ambulância para levar Patrícia Elen ou monitorar os sinais dela durante as tentativas.
Na nota desta sexta, a secretaria diz que, também, neste caso, o atendente do Samu seguiu o protocolo e que as ambulâncias da região estavam "indisponíveis", em outros atendimentos.
"Cabe esclarecer que o Samu possui todas as informações sobre a situação da rede e indica sempre a unidade com o atendimento mais adequado. A orientação, neste caso, foi realizada com base no local que possuía, naquele momento, profissionais disponíveis para prestar essa assistência e não na distância entre a residência da paciente e a unidade", diz o comunicado.
O G1 perguntou nesta quinta, repetidas vezes, mas a Secretaria de Saúde não comentou a atitude da equipe de acolhimento do hospital ao rejeitar os primeiros socorros à paciente. Ela chegou na UPA de Samambaia desacordada e, apesar das tentativas de reanimação, não resistiu e morreu às 9h10.
Próximos passos
No comunicado à imprensa, a Secretaria de Saúde não diz qual é o prazo da investigação aberta, e nem o que pode acontecer caso alguma equipe seja responsabilizada. O texto também não cita nenhuma punição ou afastamento imediato para os envolvidos no caso.
Segundo a nota, o corpo "foi encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbito de Ceilândia e a família comparecerá ao local nesta sexta-feira (7) para orientações e, se necessário, autorização para a realização de necropsia".
Até as 16h desta sexta, a família ainda não tinha informações sobre a data prevista de liberação do corpo. A expectativa era de realizar o velório ainda neste sábado (8).
A recepcionista Patrícia Elen deixa uma filha de quatro anos e um casamento de mais de sete anos. O viúvo, Rogério da Silva, não se conforma com a maneira com que a esposa foi negligenciada enquanto buscava por socorro na rede pública.
"Somos tratados como um animal, como se fosse um objeto que não presta mais."
*sob supervisão de Maria Helena Martinho
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2018/t/B/aauvEjQDSMBneok1bi0Q/whatsapp-image-2018-12-06-at-15.43.41-1-.jpeg)
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2018/3/R/utDX2RRPOBG82Bi7ouzA/hrsam.jpg)
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2018/u/K/TGNguyRdWpGgVC9JpbLw/004-sxs-morte-hosp-samambaia-06122018-0024-frame-464.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário