Ressocialização
30/11/2018 18:23h
Cerca de 60 internos que cumprem medida socioeducativa na Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa) e egressos do sistema apresentaram ao público nesta sexta-feira (30), na Casa de Plácido, em Belém, o resultado de algumas ações artística, culturais e culinárias que foram desenvolvidas por eles ao longo deste ano de 2018.
A 4ª Mostra de Talentos contou com apresentações musicais, dança, teatro, poesia, além de exposições fotográficas, artesanato e venda de produtos feito pelos próprios socioeducandos, sob orientação da equipe de arte-educadores da Fundação, buscando garantir a reinserção e a participação social dos internos durante e ao término da medida socioeducativa. O encontro também contou com a participação de instituições parceiras da socioeducação e que integram o sistema de garantia de direitos.
Egresso da Medida Socioeducativa que está estagiando em uma rede de supermercados de Belém e fazendo curso de qualificação profissional, um dos jovens que participou do evento cumpriu medida socioeducativa na Fasepa no ano de 2015. “Foi na Fasepa que eu pude refletir a vida e fui descobrindo os talentos que eu nem sabia que tinha. Fiz teatro, participei das oficinas de percussão, e tantas outras coisas que eu só tenho a agradecer porque foi através da medida socioeducativa que eu percebi que o caminho do mal não é o melhor caminho a seguir, pois temos que estudar para ser alguém na vida, para não continuar no erro e dar orgulho pra nossa mãe. Se não fosse a Fasepa talvez eu não estivesse aqui, estaria morto, ou estaria pior. Eu só tenho a agradecer pelo excelente trabalho que eles fazem”, disse o jovem de 19 anos e que hoje está fora da medida socioeducativa.
Com o tema “Ressignificando Caminhos: Plantando Sonhos e Colhendo Talentos – Um novo olhar para a Socioeducação”, a programação marca o encerramento das atividades de 2018 desenvolvidas por meio de políticas públicas voltadas aos adolescentes e jovens sentenciados pela Justiça. Dessa forma, na perspectiva de despertar novos horizontes pedagógicos, o senso de cidadania e coletividade, os profissionais da Fasepa e a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) trabalham nos socioeducandos atividades educacionais, artísticas, culturais e fortalecem o convívio familiar e comunitário.
Outro jovem talento que participou da programação agradeceu as oportunidades que vêm recebendo durante a medida socioeducativa, exaltou a atuação de todos para o sucesso do encontro e minimizou as dificuldades. “Foi e está sendo um período de grande aprendizado, fiz muitos cursos profissionalizantes, oficina de arte e voltei a estudar. Eu fiz da dificuldade um aprendizado e crescimento de vida”, declarou o rapaz de 17 anos, que cumpre medida socioeducativa no Centro de Semiliberdade de Santarém (CSS), localizado no oeste do Estado, e hoje toca clarinete na Banda Filarmônica de Santarém.
O professor da Seduc, Expedito Ferreira, que atua no Centro de Internação do Adolescente Masculino (CIAM-Sideral), destacou que “esse caminhar socioeducativo é fundamental na vida dos adolescentes, pois durante esse processo é que se desenvolve a ressocialização, a valorização, autodescoberta e resgate da autoestima. Então, durante esse caminhar estão sendo quebrados alguns padrões para que nós possamos alcançar os nossos objetivos educacionais em prol da socioeducação do Estado".
O presidente da Fasepa, Simão Bastos, observou que a arte é um processo transformador de desenvolvimento social e humano. "A arte criou possibilidades que foram convergindo para o processo do ressignificar de caminhos desses adolescentes. O resultado dessa mostra evidencia toda uma construção coletiva exercida por diversos atores que compõem o sistema de garantia de direitos que desenvolvem suas funções dentro e fora das espacialidades socioeducativas para que nos possamos ter uma sociedade cada vez melhor e mais justa”.
Esta foi quarta edição consecutiva da Mostra de Talentos da Fasepa, que surgiu com o objetivo de levar a sociedade um pouco do trabalho desenvolvido nas unidades de internação. O público teve a chance de adquirir alguns produtos confeccionados pelos próprios socioeducandos, como roupas, móveis e objetos de decoração, além de saborear pães e doces, tortas, pizzas, fruto das oficinas de panificação.
Por Alberto Passos
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