terça-feira, 18 de dezembro de 2018

DF reduziu em 80% o uso de canudos de plástico, dizem donos de bares e restaurantes

MEIO AMBIENTE DF
Por Marília Marques, G1 DF

Projeto de lei quer acabar com canudos plásticos em Sorocaba e São Roque — Foto: Ecosurf/DivulgaçãoProjeto de lei quer acabar com canudos plásticos em Sorocaba e São Roque — Foto: Ecosurf/DivulgaçãoProjeto de lei quer acabar com canudos plásticos em Sorocaba e São Roque — Foto: Ecosurf/Divulgação
Mesmo antes da aprovação da lei que proíbe o uso de canudos e copos plásticos no Distrito Federal, donos de bares e restaurantes já vinham se organizando para a mudança. Desde o início do ano, um grupo de comerciantes passou a adotar itens mais sustentáveis. A decisão, contam, reduziu o consumo de descartáveis em até 80%.
"Há uma mudança de comportamento", afirma o empresário Paulo Melo. Ele é dono de uma rede de restaurantes em Brasília e está a frente do Instituto Ecozinha – uma organização sem fins lucrativos que reúne 64 bares e restaurantes do DF.
"Mesmo sendo canudo compostável, os clientes preferem não usar. As pessoas estão muito mais conscientes."
Projeto quer proibir uso de canudos de plástico, em Vitória  — Foto: Reprodução/ TV GazetaProjeto quer proibir uso de canudos de plástico, em Vitória  — Foto: Reprodução/ TV GazetaProjeto quer proibir uso de canudos de plástico, em Vitória — Foto: Reprodução/ TV Gazeta
Para ganhar força de lei, o projeto (nº 976/2016) de autoria do deputado Cristiano Araújo (PSD) – que proíbe o uso de canudos e copos de plástico – precisa passar pela sanção do governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Caso seja aprovado, o Poder Executivo terá 90 dias para regulamentar a norma.
Se o PL não for analisado por Rollemberg até o fim do mandato, que se encerra em 31 de dezembro, a decisão passa para Ibaneis Rocha (MDB). Se sancionada a lei, quem desrespeitar terá que pagar multa de R$ 1 mil a R$ 5 mil. Em caso de reincidência, a multa aplicada será o dobro.

Bares sustentáveis

O projeto que agora aguarda por uma sanção, define como materiais biodegradáveis todos aqueles que não são derivados de polímeros sintéticos fabricados à base de petróleo. Ou seja, que são elaborados "a partir de matérias orgânicas", como o amido de mandioca, bagaço de cana e outras fibras naturais.
Mas antes mesmo do projeto de lei, bares e restaurantes que se juntaram ao Instituto Ecozinha no DF substituíram 100% dos canudos plásticos por outro descartável, à base de mandioca, milho e dendê.
'Canudoca' - canudo feito à base de mandioca usado desde setembro em 64 estabelecimentos do DF — Foto: Ecozinha/Divulgação'Canudoca' - canudo feito à base de mandioca usado desde setembro em 64 estabelecimentos do DF — Foto: Ecozinha/Divulgação'Canudoca' - canudo feito à base de mandioca usado desde setembro em 64 estabelecimentos do DF — Foto: Ecozinha/Divulgação
O item é descartável e, assim que é dispensado, pode servir como adubo. A técnica conhecida como compostagem já tem adeptos na capital do país e evita que o material se acumule em aterros.
A troca, apesar de custar alguns centavos à mais no caixa das empresas, tem atraído um "público mais jovem e consciente". No mercado nacional, um canudo de plástico convencional custa, em média, R$ 0,03 contra o R$ 0,12 do "canudoca" – apelido dado ao descartável compostável.
"O preço é maior, mas são centavos quando se compara à composição no preço de um drink, por exemplo. Mas ainda sim é barato", afirma Paulo Melo.
"Não é problema econômico, mas de conscientização".
Bar substitui canudos de plástico pelos de papel — Foto: Reprodução/Pequenas Empresas & Grandes NegóciosBar substitui canudos de plástico pelos de papel — Foto: Reprodução/Pequenas Empresas & Grandes NegóciosBar substitui canudos de plástico pelos de papel — Foto: Reprodução/Pequenas Empresas & Grandes Negócios

Quem é contra

Já o presidente da Associação Comercial do DF, Fernando Brites, disse ao G1 que considera a medida "exagerada". A afirmação se refere à aprovação do projeto como lei na capital do país.
"É um pouco exagero proibir o uso desse material. O mercado ainda não tem quantidades suficientes de copos e canudinhos de material biodegradável para oferecer às empresas, afirmou Brites.
"Seria mais aconselhável que houvesse a proibição do descarte indiscriminado do canudinho."

Outras iniciativas

Apesar da desconfiança do presidente da Associação Comercial do Distrito Federal, donos de bares, restaurantes e cafés dizem se sentir estimulados a abolir o uso de canudos plásticos. O motivo? "Cuidado com o meio ambiente, especificamente com os animais", afirma Ivone Carvalho, dona de uma chopperia e um restaurante no Pontão do Lago Sul.
"Um vídeo de uma tartaruga-marinha tendo um canudo retirado de suas narinas foi um alerta de que precisávamos fazer algo."
Um vídeo de biólogos retirando um canudo de dentro da narina de uma tartaruga marinha na Costa Rica talvez seja o símbolo máximo do prejuízo desse pequeno objeto para o ecossistema. — Foto: BBCUm vídeo de biólogos retirando um canudo de dentro da narina de uma tartaruga marinha na Costa Rica talvez seja o símbolo máximo do prejuízo desse pequeno objeto para o ecossistema. — Foto: BBCUm vídeo de biólogos retirando um canudo de dentro da narina de uma tartaruga marinha na Costa Rica talvez seja o símbolo máximo do prejuízo desse pequeno objeto para o ecossistema. — Foto: BBC
Desde outubro, a empresária adota canudos biodegradáveis. O descartável usa um aditivo "verde" na composição – à base de óleo de palmeira. Neste caso, o tempo de degradação no meio ambiente é de até seis meses. No final da decomposição o canudo se transforma em moléculas de H₂O, biomassa e CO₂.
Para Henrique Migras, proprietário de um bar e restaurante na Asa Sul, a decisão de utilizar canudos biodegradáveis também aconteceu antes mesmo da lei ser discutida no legislativo. "Precisamos não só eliminar o canudo de plástico, mas diminuir a geração de lixo e de desperdício", explica.
"Somos de uma geração que está preocupada com o planeta e o nosso cliente também."
Canudos de bambu são opção ao uso dos descartáveis de plástico — Foto: Straw Free/ReproduçãoCanudos de bambu são opção ao uso dos descartáveis de plástico — Foto: Straw Free/ReproduçãoCanudos de bambu são opção ao uso dos descartáveis de plástico — Foto: Straw Free/Reprodução

Canudo nos oceanos

O canudo foi o 7º item mais coletado nos oceanos em todo o mundono ano passado, de acordo com levantamento da ONG Ocean Conservancy, com sede nos Estados Unidos. Esse tipo de descartável corresponde a 4% de todo o lixo plástico encontrado no mundo.
O Fórum Econômico Mundial relata a existência de 150 milhões de toneladas métricas de plásticos nos oceanos, que levam até 450 anos para serem decompostos. Caso o consumo de plástico siga no mesmo ritmo de hoje, cientistas preveem que haverá mais plástico do que peixes no oceano até 2050.

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