terça-feira, 21 de julho de 2026

CRISE CLIMÁTICA Quase 15 mil casas destruídas no RS: pesquisa mapeia a crise habitacional e o impacto deixado pelas enchentes no Vale do Taquari

 BRASIL


Um dado chama atenção no estudo. Ao comparar o número de moradias identificadas pelo mapeamento de conjuntos da pesquisa com as quantidades solicitadas pelos municípios aos governos estadual e federal, as autoras encontraram diferenças. 

Em Arroio do Meio, por exemplo, o mapeamento da pesquisa identificou 181 unidades destruídas; em Cruzeiro do Sul, 550; em Encantado, 357; em Estrela, 435; em Lajeado, 227; em Muçum, 80; e em Roca Sales, 405. Segundo as pesquisadoras, essa discrepância decorre de critérios metodológicos distintos. Enquanto o estudo acadêmico se concentrou nas moradias atingidas em situação de conjunto, as estimativas municipais para solicitação de recursos também incluem edificações isoladas, habitações em áreas rurais e outras demandas identificadas por laudos técnicos locais.

Um problema que vai além de reconstruir paredes

Para as autoras, a perda da moradia provocada pelos desastres climáticos ultrapassa a dimensão física da edificação, afetando também vínculos territoriais, comunitários e afetivos das famílias atingidas As pesquisadoras observam que, quando as políticas habitacionais pós-desastre são conduzidas sob a lógica da urgência e da excepcionalidade, sem mecanismos estruturados de participação social, corre-se o risco de reproduzir processos históricos de exclusão. Por outro lado, o artigo também registra sinais de resiliência e reapropriação por parte das famílias, visto que nas unidades provisórias muitas passaram a construir anexos, cercamentos, hortas domésticas e espaços de trabalho, ressignificando a estrutura padronizada de concreto e transformando-a em ambiente com características de lar.

Entre os desafios apontados para o planejamento futuro está a dificuldade de encontrar terrenos seguros e acessíveis para novas moradias, dada a proximidade de rios e morros que caracteriza a paisagem de boa parte dos municípios do Vale do Taquari. O caso de Muçum, situado entre os rios Taquari e Guaporé, é descrito como o mais adverso entre os sete municípios analisados. Para orientar esse processo, o Governo do Estado, em parceria com universidades, tem promovido a revisão de planos diretores municipais incorporando, pela primeira vez de forma sistemática no Rio Grande do Sul, o risco hidrológico e geológico como critério central das diretrizes urbanas e rurais, um esforço que inclui o Zoneamento de Áreas de Risco, já concluído para o município de Muçum.

Referência do artigo 

DELAZERI, B.; RUTHNER, B. Z.; WEIZENMANN, J. M. da S. A emergência do habitar no Vale do Taquari: crise climática e direito à moradia no Sul do Brasil: CRISE CLIMÁTICA E DIREITO À MORADIA NO SUL DO BRASIL. Bitácora Urbano Territorial, [S. l.], v. 36, n. 2, 2026. DOI: 10.15446/bitacora.v36n2.123759. Disponível em: https://revistas.unal.edu.co/index.php/bitacora/article/view/123759. Acesso em: 16 jul. 2026. 




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