quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Responsáveis pelo Programa Antártico Brasileiro pedem apoio para obter mais recursos

 


Custo operacional do Proantar é de R$ 8 milhões por ano, e o orçamento de 2020 é de R$ 3,67 milhões, já incluídas as emendas parlamentares

04/11/2020 - 19:36  

Responsáveis pelo Programa Antártico Brasileiro (Proantar) explicaram nesta quarta-feira (4), em evento on-line, a importância das pesquisas no continente e pediram apoio de parlamentares, com a destinação de emendas ao Orçamento de 2021 para garantir a manutenção do programa. O debate foi promovido pela Frente Parlamentar Mista de Apoio ao Proantar.

O coordenador da frente, deputado José Rocha (PL-BA), destacou a importância do programa para a pesquisa científica e também para as relações exteriores. “Esse programa da Antártica que tantos benefícios tem trazido à ciência e à tecnologia do nosso país, e também é um programa que faz uma integração entre todos os países que estão na Antártica, desenvolvendo as pesquisas e levando cientistas, pesquisadores e contribuindo para a ciência do mundo”, disse.

O líder do Governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), disse que vai divulgar a solicitação por emendas parlamentares.

Reprodução
Contra-Almirante Antonio Cesar da ROCHA MARTINS em evento on-line
Contra-almirante Rocha Martins fala sobre a importância do programa no debate da frente parlamentar

A Antártica, com área de 14 milhões de km² (pouco mais de uma vez e meia a área do Brasil), tem 70% de toda a água doce do planeta.

A menor temperatura já registrada no chamado continente gelado foi de 94,7 graus Celsius negativos, em 2010. E a maior temperatura, 20,75 graus Celsius, foi registrada em fevereiro deste ano pelo pesquisador brasileiro Carlos Schaefer. O registro ainda está pendente de validação, mas acende um alerta.

Os dados foram apresentados no debate pelo contra-almirante Antonio Cesar da Rocha Martins, secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, responsável pelo Proantar.

O Brasil é um dos 29 países que são membros consultivos do Sistema do Tratado da Antártica e, para manter esse status, precisa desenvolver pesquisa científica na região. O principal objetivo do Proantar é promover pesquisa para entender os impactos da região, principalmente sobre o Brasil.

Agricultura
Rocha Martins citou, por exemplo, o papel da Antártica no clima brasileiro. "Influencia no clima, e para que serve isso? Nós conseguimos calibrar nossos modelos de previsão meteorológica de maneira a torná-los mais acurados, mais precisos. E essas previsões, quanto mais precisas, mais nos auxiliam a combater eventos extremos do clima, nos permite ter ciclos de plantio adequados à previsão do tempo. A gente pode retardar ou antecipar uma colheita, um plantio, uma semeadura em função da previsão climática”, disse.

O contra-almirante também detalhou possibilidades da pesquisa no continente para a Medicina: “A gente tem notícias de remédios que são derivados de fungos e micro-organismos antárticos que são usados contra doença de Chagas, malária, câncer. Temos um projeto de pesquisa importante conduzido pela Fiocruz, que estuda os micróbios na Antártica na obtenção de fármacos.”

Outra pesquisa citada por Rocha Martins diz respeito ao crustáceo antártico krill, com papel relevante na absorção de carbono pelo oceano.

A Antártica como fonte de recursos minerais também foi possibilidade comentada pelo secretário. “Em termos de recursos minerais e, obviamente, a gente tem de estar atento, a Rússia tem uma pesquisa importante de identificação de áreas de possível ocorrência de petróleo e gás”, disse.

Mas, para que toda essa pesquisa seja possível, é preciso dinheiro. O contra-almirante Rocha Martins lembrou que o Poder Legislativo sempre foi parceiro na manutenção do programa, com as emendas parlamentares ao Orçamento, que foram ganhando cada vez mais importância.

O custo operacional do Proantar, que envolve, por exemplo, a manutenção e a operação da Estação Antártica Comandante Ferraz e o apoio logístico aos projetos de pesquisa, é de R$ 8 milhões por ano. Apesar disso, o orçamento de 2020 para o programa foi de R$ 3,67 milhões, já incluídas as emendas parlamentares, que representaram mais da metade do total. Em 2012, o programa contou com R$ 9,8 milhões, sendo que apenas R$ 1,6 milhão veio de emendas.

Para 2021, foi levado à audiência um pedido de emendas parlamentares no valor total de R$ 9,65 milhões, para apoio logístico à pesquisa científica, sistema de transferência de óleo combustível por mangotes para a estação, entre outros itens.

 

 

Reportagem - Paula Bittar
Edição - Wilson Silveira

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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