GOIÁS
Eles terminam de passar túnicas e colocar querosene nas tochas dos 40 farricocos nesta quarta-feira. Encenação dos últimos momentos da vida de Jesus começa às 23h59.
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FOTO: REPRODUÇÃO TV ANHANGUERA
Eles terminam de passar túnicas e colocar querosene nas tochas dos 40 farricocos nesta quarta-feira. Encenação dos últimos momentos da vida de Jesus começa às 23h59.

FOTO: REPRODUÇÃO TV ANHANGUERA
Por todas as esquinas da cidade de Goiás, moradores fazem os últimos ajustes para a Procissão do Fogaréu. É nesta quarta-feira (17) que eles terminam de passar as túnicas e colocam querosene nas tochas dos 40 farricocos, nomes dados aos soldados romanos que perseguem Jesus. Tudo tem de estar pronto até as 23h59, quando a encenação começa (veja abaixo o percurso e dicas para aproveitar ao máximo a encenação).
A edição 2019 conta com novas túnicas e capuzes para os farricocos. “Tem um certo segredo para fazer. São muitos detalhes, há exigências sobre cada costura, não pode ser de qualquer forma, com qualquer ponto. Os capuzes têm técnicas de impermeabilização”, explica Rodrigo Silva, presidente da Organização Vilaboense de Artes e Tradições (Ovat).
O jardineiro Valdivino Dias Carneiro, de 48 anos, já montou com a ajuda do filho e do sobrinho as 500 tochas feitas com latas de bebidas e um pedaço de madeira que vão ser dadas aos visitantes. É preciso chegar cedo ao Museu de Arte Sacra da Boa Morte para garantir um exemplar. Também são eles que fazem as tochas levadas pelos farricocos.
“A gente deixa tudo pronto para hoje colocar a estopa e o querosene. É muito perigoso montar antes e deixar quadrado”, conta Valdivino.
Já a aposentada Maria Aparecida Tobias Magalhaes, 63 anos,e a cuidadora de idosos Dulcy Moraes Preto, de 59, estão com calos nas mãos de passar as túnicas. Algumas roupas levam quase 1 hora para serem passadas.
“Continuo passando por amor, eu tenho problema nos dedos, reumatismo, até pensei que não ia dar conta e estou aqui”, disse Maria Aparecida.
Antes delas, o alfaiate Adalto Domingues da Silva, 48 anos, costurou novas peças. Ele foi escolhido entre vários profissionais e, há 20 anos, ajuda na procissão. “É gratificante saber que o seu trabalho ajuda a construir e faz parte da história”, ressaltou.
A Procissão do Fogaréu é realizada desde 1745, quando o pároco do município na época, o padre espanhol João Perestelo de Vasconcelos Espíndola, trouxe o costume à cidade de Goiás. O costume foi passado por gerações e atrai, todos os anos, milhares de turistas.
Veja o percurso e detalhes da procissão:
- Museu de Arte Sacra da Boa Morte - saída dos farricocos à procura de Jesus
- Procissão segue pela Rua Morette Foggia;
- Santuário do Rosário - simboliza a Santa Ceia. Encenação do hospedeiro dizendo que Cristo não está ali;
- Procissão segue para a Rua Senador Eugênio Jardim e vira na Rua do Carmo;
- Igreja de São Francisco - é onde acontece a prisão de Jesus. Toque do clarim por um farricoco anuncia a prisão. Em seguida, é levantado o estandarte de Cristo flagelado. Novamente, se toca o clarim para reforçar a prisão e pedindo silêncio
- Bispo faz homilia
- Em silêncio, farricocos seguem pelas ruas Professor Ferreira e Maximiano Mendes.
- Fim do percurso: Cristo é colocado em frente ao Museu Boa Morte, e os farricocos vão embora.
Dicas para curtir a encenação
Milhares de turistas viajam para Goiás para acompanhar a procissão. A cidade já está com todos os hotéis, pousadas e hostels lotados. Para aproveitar ao máximo o espetáculo, há dicas preciosas da Ovat:
- Use sapatos confortáveis e sem salto - as ruas são de pedra e irregulares;
- Se usar lentes, não se aproxime das tochas, para evitar irritação nos olhos;
- Leve máscara, caso tenha sensibilidade a fuligem ou fumaça;
- Cuidado ao levar as tochas, pois há produtos inflamáveis.
Hotéis lotados
Na véspera da Procissão do Fogaréu, os hotéis da cidade de Goiás estão lotados. Morador de Campo Grande, no Mato Grosso, o aposentado Josiberto Martins, de 60 anos, viajou 800 km com a família para conhecer o município, mas não terá pouso para assistir ao espetáculo da perseguição e prisão de Jesus Cristo.
“Fiquei desapontado por não ter hotel, gostaria de ficar para a procissão. Resolvi vir há cerca de um mês, tentei reservar, mas já não tinha vaga. Mesmo assim, vim para conhecer a cidade”, contou o turista.
Localizada a 130 km de Goiânia, a cidade de Goiás tem 21 hotéis, pousadas e hostels registrados, com capacidade para receber 1.092 pessoas, segundo a Organização Vilaboense de Artes e Tradições (Ovat).
“Tem reservas desde janeiro. Hoje mesmo, se tivesse 50 apartamentos, alugava tudo”, conta Lucas de Souza Machado, dono de um hotel da cidade.
Durante o feriado, a entidade espera receber 50 mil turistas entre quarta-feira e o domingo de Páscoa. Como não há hotel para todos, os turistas se abrigam de outras formas, como em casas alugadas.
“Pessoas que têm parentes aqui ficam um ano sem visitar e vem para prestigiar cultura. Vem sempre o parente e o amigo. Também tem um grande público que vem e volta no mesmo dia. Tem também outras pessoas que ficam em cidades da região, como Itaberaí, que fica a 36 quilômetros, hotéis-fazenda”, contou o presidente da Ovat, Rodrigo dos Santos e Silva.
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