terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Alemanha investiga rede de policiais neonazistas

MUNDO
O Ministério Público da Alemanha abriu uma investigação sobre uma suposta rede extremista de direita dentro da força policial de Frankfurt. Denúncia teria partido de uma advogada de origem turca que passou a receber mensagens xenófobas pelo WhatsApp.O Ministério Público da Alemanha abriu uma investigação sobre uma suposta rede extremista de direita dentro da força policial de Frankfurt, segundo relatou no domingo (16) o jornal alemão "Frankfurter Allgemeine Zeitung" (FAZ). A denúncia teria partido de uma advogada de origem turca que passou a receber mensagens xenófobas pelo aplicativo WhatsApp.
“Porca suja turca, fuja enquanto ainda há tempo”. Esse é o tipo de mensagem que a advogada Seda Basay-Yildiz vinha recebendo em seu telefone. Mas, em agosto, a coisa foi longe demais. Em uma das mensagens, seu endereço particular foi mencionado e ameaças contra sua filha foram feitas.
O texto havia sido assinado por “NSU 2.0”. O nome corresponde a uma célula terrorista neonazista que já assassinou vários estrangeiros na Alemanha. Um movimento bem conhecido por Basay-Yildiz, que já chegou a defender familiares de vítimas do grupo de extrema direita.
Após receber a última mensagem com ameaças mais sérias, a advogada alertou as autoridades. A investigação apontou que as mensagens teriam vindo de uma delegacia de Frankfurt. Cinco policiais, incluindo uma mulher que teria conseguido o endereço de Basay-Yildiz, participavam de um grupo de WhatsApp com teor neonazista e foram suspensos.

Outros agentes são suspeitos

Os investigadores encontraram, na troca de mensagens do grupo, fotos e outros símbolos nazistas. Os cinco funcionários da polícia são suspeitos de terem redigido as ameaças à Basay-Yildiz. Segundo informações da imprensa do país, a investigação foi ampliada e outros agentes estariam envolvidos.
Após tomar conhecimento pela imprensa sobre os novos desenvolvimentos do caso, Basay-Yildiz criticou a polícia. Ela disse que buscou informações sobre o inquérito repetidamente, mas só soube no sábado sobre a suposta rede extremista. "Gostaria que a polícia tivesse me informado antecipadamente", afirmou.
O assunto alimenta um debate na Alemanha sobre uma parte da polícia, mesmo que minoritária, ter simpatia por ideias de extrema direita.

rfi

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