segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Ferrari volta a vencer, enquanto Mercedes sofre com os pneus: uma análise do GP dos EUA

Por Livio Oricchio — Nice, França

Ferrari volta a vencer, enquanto Mercedes sofre com os pneus: uma análise do GP dos EUA


Kimi Raikkonen, da Ferrari, venceu. Max Verstappen, RBR, segundo colocado, recebeu a bandeirada somente 1s281 atrás. E Lewis Hamilton, Mercedes, terceiro, cruzou a linha de chegada apenas 1s061 depois de Max. Três pilotos de três equipes diferentes, competindo com três unidades motrizes distintas, Ferrari, Renault e Mercedes, e muito próximos entre si. Essa é a fotografia que melhor caracteriza o emocionante GP dos Estados Unidos, disputado neste domingo no Circuito das Américas, em Austin.
A Ferrari voltar a vencer depois de cinco GPs é uma boa notícia para a F1. Vale a pena procurarmos entender em maior profundidade o que levou a assistirmos a uma corrida de resultado imprevisível, pois qualquer um dos três mencionados e talvez até Sebastian Vettel, da Ferrari, quarto colocado, pudessem celebrar a vitória na 18ª etapa do campeonato.
Mas antes de discutirmos a questão, a combinação Hamilton em terceiro e Vettel em quarto, no Texas, adiou a decisão do título pelo menos até o evento na Cidade do México, já no próximo fim de semana. Agora Hamilton soma 346 pontos e Vettel, 276. A vantagem é de 70 pontos. Como depois a temporada terá apenas mais duas etapas, Brasil, 11 de novembro, e Abu Dhabi, 25, Vettel precisa reduzir essa diferença para 49 pontos, pois haverá 50 pontos em jogo. O empate favorece Hamilton por ter nove vitórias diante de cinco de Vettel.
Para reduzir 21 pontos, a fim de chegar aos 49 de diferença (70-21), o piloto da Ferrari precisa necessariamente vencer o GP do México, somar 25 pontos, e torcer para Hamilton não terminar em sétimo, somar seis pontos. Só assim Vettel estende a definição do mundial até o GP do Brasil. Vendo pelo outro lado, tudo o que Hamilton tem de fazer é receber a bandeirada em sétimo, independente de Vettel. Mas pelo que sempre demonstrou na F1 não deverá ser o caso. Hamilton vai tentar vencer, como neste domingo.
O tema agora é o que explica uma prova fora do padrão das últimas este ano, a Ferrari chegar na frente da Mercedes, como vimos. Em primeiro lugar, os italianos levaram para os Estados Unidos um carro bastante modificado em relação à versão que estreou no GP de Singapura, 15º, dia 16 de setembro e utilizado nas demais, Rússia e Japão. Não que o grupo de engenheiros liderados por Mattia Binotto produzisse novos componentes, mas exatamente o oposto. A maior parte das novidades introduzidas no Circuito Marina Bay, em Singapura, foi retirada do carro.

De volta ao GP da Bélgica

Ferrari usou, basicamente, a configuração da corrida em Spa — Foto: Getty ImagesFerrari usou, basicamente, a configuração da corrida em Spa — Foto: Getty Images
Ferrari usou, basicamente, a configuração da corrida em Spa — Foto: Getty Images
Raikkonen e Vettel competiram no Circuito das Américas com a versão usada, basicamente, no GP da Bélgica, 13º do ano, dia 26 de agosto. Só ficou no SF71H o novo aerofólio dianteiro. Aquela versão do carro italiano era muito eficiente, haja vista que Vettel venceu em Spa-Francorchamps, ainda que contasse com um recurso que desde o GP da Itália, 14º, dia 2 de setembro, não pode mais usar, os cavalos extras, além dos 160 permitidos, do sistema de recuperação de energia cinética, MGU-K. A FIA aumentou o monitoramento, desde Monza, o que acabou por revelar um dos segredos do time.
Em Austin, a Ferrari começou o treino livre de sábado, o primeiro com pista seca, com o SF71H versão Spa-Francorchamps, e pequenas alterações da porção final superior do assoalho. Choveu nas duas sessões livres da sexta-feira, ninguém teve a chance de trabalhar no chassi. E o acerto básico do carro italiano adotado no sábado se mostrou bem superior ao W09 da Mercedes, tanto que Vettel foi o mais rápido e Raikkonen ficou em segundo. Depois vieram Hamilton, terceiro, e Bottas, quarto.
A Mercedes estreou também em Singapura uma versão bem modificada do seu W09, destinada a atenuar as dificuldades de superaquecimento dos pneus traseiros, em especial quando a Pirelli distribuía os pneus mais macios. Suspensão traseira, tomadas de ar dos freios e rodas foram redesenhados. E os resultados, desde então, demonstraram que o problema foi resolvido. Hamilton venceu os GPs de Singapura, da Rússia e do Japão.
GLOBO ESPORTE 


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