sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Bairro Dom Aquino receberá projeto piloto da Patrulha Maria da Penha

Bairro Dom Aquino receberá projeto piloto da Patrulha Maria da Penha

Efetivo atuará na próxima semana, logo após a capacitação
Nara Assis Sesp-MT

Viatura caracterizada da Patrulha Maria da Penha - Foto por: Lenine Martins / Sesp-MT
Viatura caracterizada da Patrulha Maria da Penha
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Desde 2012 o estado do Rio Grande do Sul (RS) não registra homicídio de mulheres que possuem medida protetiva em razão de violência doméstica. O dado foi ressaltado pela coronel da Reserva da Brigada Militar do RS, Nádia Rodrigues Silveira Gerhard, durante palestra de lançamento do projeto Patrulha Maria da Penha de Cuiabá. O evento foi realizado nesta quinta-feira (11.10), no auditório do Comando Geral da Polícia Militar de Mato Grosso (PM-MT).
Pioneira na implantação da patrulha naquele estado, em 2012, a coronel também afirmou que desde então não há registros de comunicação de descumprimento das medidas protetivas. “Antes disso, as vítimas possuíam de cinco a oito registros, normalmente, mas com a patrulha esta fiscalização tem sido um alívio para as mulheres e tem feito com que outros agressores se intimidem e não pratiquem esse tipo de violência”.
Inicialmente, o projeto será desenvolvido no bairro Dom Aquino, cujo levantamento do Poder Judiciário e da Polícia Judiciária Civil (PJC) apontou como localidade de maior concentração de medidas protetivas de urgência na Capital: 22 até agosto de 2018. “Assim que a Justiça expedir, a patrulha Maria da Penha irá até a residência da vítima para fazer a primeira análise de risco, se é iminente, moderado ou pequeno e, com isso, estipular a frequências das próximas visitas, com o objetivo de romper com o ciclo de violência”, explicou o coordenador de Polícia Comunitária e Direitos Humanos da PM-MT, major PM Rogério de Oliveira Vieira.
Os operadores da Patrulha Maria da Penha passarão por capacitação, na próxima semana (15.10 e 16.10), voltada ao exercício específico da função, visando o acolhimento das vítimas de forma humanizada. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) disponibilizou a Escola dos Servidores para a realização do treinamento, bem como a estrutura necessária. Representantes da Polícia Judiciária Civil (PJC-MT) que atuam na DEDM e dos demais integrantes da Câmara Temática de Defesa da Mulher também contribuirão. Em seguida, o efetivo composto por um oficial, seis praças e uma viatura caracterizada, iniciará as visitas regulares.
Câmara Temática de Defesa da Mulher
O secretário de Estado de Segurança Pública, Gustavo Garcia, ressaltou que este é um passo fundamental, resultante da mobilização das mulheres que integram a Câmara Temática de Defesa da Mulher, instalada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) no final de 2017. “Não podemos aceitar a violência contra a mulher, precisamos nos indignar. A patrulha é essencial para que a vítima se sinta segura, por isso eu agradeço à PM, PJC, Poder Judiciário, Defensoria Pública, sociedade civil, enfim, todos que participam da Câmara e contribuem para essas melhorias”.
A partir desta experiência piloto, a Sesp analisará os resultados, a fim de viabilizar as patrulhas nos demais municípios mato-grossenses. O comandante-geral da PM-MT, coronel PM Marcos Vieira da Cunha, disse que acatou o projeto de imediato por entender a importância da proteção às mulheres. “Nós nos colocamos à disposição da Coordenadoria de Polícia Comunitária e Direitos Humanos para colocar a ideia em prática, pois a proteção da vida das mulheres é algo urgente”.
A coordenadora Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário, desembargadora Maria Erotides Kneip, frisou que a fiscalização das medidas judiciais é essencial, em função da falha humana e não da Lei. “A violência contra a mulher é cultural, então não há falha da Lei, a sociedade é que ainda não conseguiu evoluir culturalmente para que homens e mulheres sejam respeitados igualmente”.
Prisão do agressor
Além de assegurar proteção às mulheres que tiverem requerido medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha (11.340/2006), a patrulha também poderá agir caso o agressor não respeite a determinação da Justiça. Este acompanhamento pode resultar em prisão, já que a Lei 13.641, de 3 de abril de 2018, tipificou o crime de descumprimento de medidas protetivas de urgência.

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