Análise: não desistir ainda é pouco para o Palmeiras, que venceu a qualquer custo
OK, desta vez o time não deixou dois pontos escaparem (graças a um gol aos 48 minutos), como nos três jogos anteriores, mas no segundo tempo o desespero ficou claro pelas bolas paradas
Por Tossiro Neto, São Paulo
O time do Palmeiras merece parabéns por ter vencido o Atlético-MG, um duro adversário e concorrente direto pelas primeiras posições do Campeonato Brasileiro. Não é fácil, não foi fácil. Só que a avaliação da atuação, no geral, não se resume ao resultado, diria o próprio Roger Machado, discípulo de Tite.
Os jogadores não desistiram depois do baque de ver o rival empatar o placar duas vezes, o que aconteceu nas últimas três partidas. Isso é um ponto louvável. A torcida não pode se queixar de falta de entrega. Mas pode (deve) esperar um futebol melhor desse elenco, né?
Depois de abrir o placar aos dois minutos, o Palmeiras não teve bom desempenho. Exceção feita principalmente a Moisés – não só pelo gol, mas por ajudar até na marcação –, o time jogou menos, por exemplo, do que no primeiro tempo do empate contra o Santos.
Os gols de Palmeiras 3 x 2 Atlético-MG pela 14ª rodada do Brasileirão 2018
Durante a Copa do Mundo, Tite, técnico da seleção brasileira e tido como "mestre" pelo técnico do Palmeiras, elogiou a vitória da Alemanha sobre a Suécia, pela fase de grupos. Mesmo atrás no placar, e depois de ter um jogador expulso, a campeã mundial de 2014 não mudou o jeito de jogar. Teve calma, manteve padrão.
A França, que mais tarde ficaria com o título, também não passou a jogar de qualquer jeito quando levou a virada da Argentina nas oitavas de final. Teve calma, confiou no seu padrão de jogo.
Muito cedo para apostar
O Palmeiras do segundo tempo de domingo, não. Desistiu da bola pelo chão, do jogo de associações de que Roger Machado tanto gosta. Em vez disso, alçou um sem-fim de cruzamentos à área – e, OK, foi assim que marcou um desesperado terceiro gol, aos 48 minutos, mas não dá para abdicar do estilo de jogo tão cedo para apostar.
Um agravante é que o lance do decisivo e segundo gol de Bruno Henrique – ele já tinha marcado em um tiro livre direto – foi um dos poucos em que houve capricho na bola levantada. Dá uma olhada nessas aqui:
Gustavo Scarpa cobra falta à meia altura, e a zaga afasta (Foto: Reprodução)
Hyoran cobra falta, e a defesa tira de cabeça de fora da área (Foto: Reprodução)
Hyoran joga bola longe dos cabeceadores do Palmeiras (Foto: Reprodução)
Tudo bem, nem Alemanha nem França jogaram sob a pressão que o Palmeiras jogou no domingo, depois de ter cedido três empates nas três rodadas anteriores do Campeonato Brasileiro. Vá lá que Joachim Löw e Didier Deschamps não foram vaiados nem cobrados por seus torcedores durante os jogos ou nas substituições feitas.
Tudo bem. Agora que ganhou um pouco mais de tranquilidade por ter vencido, Roger Machado tem como próximo desafio, dentro dos conceitos em que ele próprio acredita, fazer seu time vencer sem ser a qualquer custo, com desempenho. Na quarta-feira, como visitante, enfrenta o Fluminense. Uma boa oportunidade no Maracanã.
- Globo Esporte

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