quarta-feira, 25 de abril de 2018

Defensorias apresentam plano de ação em presídios ao ministro da Segurança Pública

Defensorias apresentam plano de ação em presídios ao ministro da Segurança Pública

Reunião aconteceu no Ministério da Justiça, em Brasília e contou com a participação da defensora pública geral do Piauí, Hildeth Evangelista

Ministério da Justiça
Defensores Públicos de todo o país reunidos com o ministro Raul Jungmann (Ministério da Justiça)
A defensora pública geral do estado do Piauí e secretária adjunta do Colégio Nacional de Defensores Públicos Gerais (Condege),  Francisca Hildeth Leal Evangelista Nunes, participou na última terça-feira (24) no Ministério da Justiça, em Brasília, da reunião dos representantes do Colegiado com o ministro extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, oportunidade em que foi discutida a proposta de esforços concentrados que serão realizados este ano em todo o país, tendo como foco a análise dos processos dos presos provisórios que aguardam julgamento há mais de seis meses.
Segundo dados do próprio Ministério da Segurança Pública, 40% da população carcerária atualmente é formada por pessoas que não tiveram julgamento. A ideia levada ao ministro é que as ações sejam executadas a partir de informações coletadas junto ao Judiciário de cada estado. Os presos receberão assistência jurídica e terão suas penas revisadas.
“É importante pensarmos não só no sistema prisional e, sim, na segurança pública como um todo. Precisamos de políticas de prevenção e não de repressão. O trabalho é evitar que quem não está no sistema prisional entre, e quem já está, não reincida. Outro foco é evitar a violação dos direitos humanos dos encarcerados”, frisou o ministro Jungmann.
Durante a reunião, o vice-presidente do Condege, defensor público geral do Rio de Janeiro, André Castro, entregou ao ministro proposta elaborada pelos defensores que integram a Comissão de Execução Penal do Colegiado. O documento tem por objetivo implementar o Programa de Combate à Superlotação do Sistema Prisional: Defensoria sem fronteiras, que prevê a atuação das Defensorias Públicas dos Estados e da União em mutirões que visam a  redução da superlotação no sistema penitenciário  em todo o país. A ação será coordenada por defensor público atuante na área de execução penal e composta de coordenadores-adjuntos, sendo necessário, no mínimo, a participação de um defensor público integrante da Comissão de Execução Penal do Condege, um membro do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN/MJ) e de um defensor público local.  A organização dos trabalhos será dividida em quatro etapas: preparação, execução, relatoria e monitoramento.
“As Defensorias Públicas dos Estados e da União têm uma atuação eficaz na prestação de assistência jurídica integral e gratuita às pessoas em situações de vulnerabilidades. Com o apoio do Ministério de Justiça, os resultados terão um salto de qualidade, o que será percebido na redução da taxa de aprisionamento. Este novo modelo será um aprimoramento do programa Defensoria Sem Fronteiras, que permitirá a elaboração de sugestões para mudanças estruturais e melhoria do fluxo no sistema prisional. É uma força-tarefa dos defensores públicos de todo o país”, disse André Castro. O trabalho terá início em junho pelo estado do Ceará, que atualmente tem a maior taxa de presos provisórios do país – 66%. Em agosto, o mutirão será em Goiás e em setembro no Pará. A assinatura do convênio está prevista para a próxima semana.
“Tivemos uma excelente receptividade por parte do ministro Raul Jungmann e acreditamos que com a implementação desse esforço concentrado será possível contribuir significativamente para a redução da superlotação no Sistema Carcerário, especialmente no que tange ao caso dos presos provisórios, cuja realidade é hoje gritante e realmente carece de uma medida mais pontual e eficaz em todos os estados brasileiros. O Piauí certamente estará engajado nessa ação que esperamos tenha a eficácia almejada”, disse  Hildeth Evangelista.

 
Fonte: Ascom/Anadep
Autoria: Ângela Ferry
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