quarta-feira, 28 de março de 2018

Mais de 80 mil pessoas fugiram de Ghouta Oriental em menos de um mês

Mais de 80 mil pessoas fugiram de Ghouta Oriental em menos de um mês, diz ONU

  • 27/03/2018 17h21
  • Beirute
Da Agência EFE
Um dia depois que o Conselho de Segurança da ONU aprovou resolução exigindo o fim dos conflitos na Síria, a região de Ghouta voltou a ser bombardeada neste domingo
A região de Ghouta vem sendo alvo de pesados bombadiosBassam Khabieh/Reuters/direitos reservados
Desde o dia 9 de março, mais de 80 mil pessoas fugiram de Ghouta Oriental, o principal reduto dos opositores ao regime nos arredores de Damasco, capital da Síria, em direção a outras áreas, seja controladas por rebeldes ou em poder das autoridades do país, informou o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha, na sigla em ingês) nesta terça-feira (37). A informação é da EFE.
A Ocha destacou num relatório que, após anos de assédio armado e depois do aumento da violência nos dois últimos meses, o progresso do governo sírio em Ghouta Oriental provocou o deslocamento de milhares de pessoas para outras regiões. A maioria saiu através de corredores estabelecidos pelas autoridades e cerca 13 mil pessoas, quase todos combatentes e seus parentes, foram levadas a Idlib no noroeste do país, em virtude de "acordos locais", segundo o documento.
Dos que saíram pelos corredores para pontos nos arredores de Damasco sob o controle do governo, muitos estão em oito refúgios coletivos. Os deslocados que estão nesses locais não podem sair até que passem por um processo de investigação e demonstrem que têm alguém para apoiá-los. O Ocha ressaltou que, até o momento, cerca de 30 mil pessoas já conseguiram a permissão oficial para sair desses lugares e foram morar com familiares em outras partes.
Quanto à situação dos enviados a Idlib, o escritório da ONU manifestou preocupação com as condições em que se encontram, já que elas estão sendo amparadas em abrigos superlotados. O Ocha afirmou que, antes da chegada desse público, quase 1 milhão de outros deslocados internos já residia em Idlib. Quase toda essa província está em poder da Frente da Libertação do Levante (antiga filial da Al Qaeda na Síria), e de outras facções.
O Ocha destacou que desconhece o número exato de gente que continua em Ghouta Oriental. Mas acredita-se que até 25 mil pessoas possam estar nas áreas que agora estão em poder das forças governamentais.
Atualmente, a única região sitiada é Douma, onde calcula-se que estejam quase 78 mil pessoas, após os acordos fechados entre as partes em conflito em Harasta, Ein Tarma, Kafr Batna e Haza. A agência da ONU apontou que a continuação da violência em Douma segue gerando muitas mortes de civis e uma grave situação humanitária, já que os moradores se refugiam em porões e ficam com acesso limitado a produtos básicos e serviços.
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