Carlos Gomes
Novos bacharéis em Música colaram grau em solenidade na Estação das Docas
02/03/2018 13:43h
O clarinetista Leo Wanderson, 24 anos, foi um dos 11 concluintes do Bacharelado em Música que colaram grau na noite desta quinta-feira (01) no Teatro Maia Sylvia Nunes, na Estação das Docas. O músico nasceu em São Caetano de Odivelas e há 4 anos mudou para Belém para estudar no curso superior de música do Instituto Estadual Carlos Gomes (IECG). Ele contou que o interesse pela música e toda a sua base musical começou na centenária banda de música do município, a Rodrigues dos Santos.
Agora, com o diploma em mãos Leo Wanderson comemora não apenas o fim de uma etapa na vida, mas o início de outra. Ele já está de contrato assinado como instrutor de música de uma escola de ensino fundamental e integra, como clarinetista, uma banda de música popular. “Meu sonho, desde criança, sempre foi fazer carreira na música e poder ajudar a minha família. Hoje eu vejo que é possível realizar esse sonho mesmo diante de tantas dificuldades”. O jovem agora sonha em estudar e tocar seu instrumento em outros países. “Pretendo levar a música regional e também a música popular brasileira para fora do país. Tenho certeza que vou realizar isso logo”.
A solenidade é considerada um marco na história do Instituto Estadual Carlos Gomes, pois o curso existe há mais de 20 anos, mas esta foi a primeira turma que concluiu o curso oriunda do primeiro processo seletivo inteiramente realizado pelo IECG. É que em agosto de 2013, o conselho estadual de Educação aprovou a resolução que autorizou a realização do curso superior de música no IECG.
Além dos novos instrumentistas, a solenidade também formou os primeiros regentes de banda sinfônica do estado. A implantação da habilitação em regência propiciou a formação de músicos como Dougllas Lopes Correa, 25 anos, que é regente de uma banda de música no município de Santa Izabel do Pará. “Toda minha história de música surgiu na banda. Foi uma felicidade grande esse curso porque eu não precisei sair do Pará para estudar e agora pretendo me especializar ainda mais, fazer um mestrado”, almeja Dougllas.
O curso ofertado pelo IECG é o segundo a ser criado no país. “Só tem dois cursos no Brasil, aqui e no Rio de Janeiro. Esse é um momento especial pois é uma tradição muito forte que existe no estado e estamos formando, qualificando e certificando esses grandes divulgadores da música instrumental no estado do Pará”, afirmou o pianista Paulo José Campos de Melo, superintendente da FCG, que no seu discurso chamou os novos bacharéis de colegas músicos dizendo que eles fazem parte de uma das mais belas profissões que existem.
Para homenagear os novos bacharéis e reverenciar o trabalho desenvolvido pela Fundação Carlos Gomes na formação, valorização e capacitação das bandas de música no interior do estado, a solenidade contou com a participação da Banda Sinfônica da Fundação Carlos Gomes, que executou o Hino Nacional e canções famosas como ‘My Way’, um dos maiores sucessos de Frank Sinatra.
A diversidade no perfil dos novos concluintes chama atenção. São pessoas oriundas de igrejas, dos cursos de formação de profissionais realizados pela Fundação Carlos Fomes no interior do estado, provenientes de cursos regulares de música desde a infância e também de bandas militares. É o caso do oficial do Corpo de Bombeiros, Moisés Gonçalves. O músico fez parte da primeira turma de Trompete e agora colou grau na primeira turma de regentes. “Entro mais uma vez para história da música no estado fazendo parte da primeira turma de regência de bandas. Achei importante me lançar nesse novo aprendizado, que é a regência, para desenvolver melhor meu trabalho na corporação”.
O pianista Robenare Marques, que coordena o Bacharelado em Música do IECG, afirmou que a instituição se fortaleceu ao implementar este e os outros cursos como a complementação pedagógica. “Isso mostra a instituição como gerenciadora não apenas da parte artístico-cultural da música, mas também se preocupando com o ensino. O Instituto está aí mostrando que está crescendo e tudo fruto de um trabalho em equipe”.
Para o diretor de Ensino do IECG, Claudio Trindade, a formatura dos novos bacharéis tem um gosto especial para todos que se dedicaram durante esses quatro anos para a conclusão dessa etapa da vida acadêmica. “Tudo se volta para esse dia como um prêmio. É o momento máximo, o Instituto Carlos Gomes - devidamente regulamentado para ofertar o ensino superior -, outorga o grau e entrega o diploma de curso superior aos concluintes. A importância está aí. Esse rito é necessário, fundamental e primordial para encerrar esse ciclo”.
E um novo ciclo se inicia a partir de agora com a inclusão desses profissionais no mercado de trabalho. “É uma felicidade ver pessoas que estão tirando a carteira de trabalho pela primeira vez e esse documento sendo assinado em atividades musicais. Isso é o mais importante. Os bacharéis vão representar bem essa classe. São bons profissionais”, concluiu Trindade.
Por Rosa Cardoso
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