Forças
de segurança montam gabinete de crise para julgamento de Lula
Serão
convocados policiais de várias regiões do Rio Grande do Sul
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| Lula será julgado em 2ª instância no caso tríplex pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre - Tiago Dantas/ Agência O Globo |
PORTO ALEGRE — Forças de segurança do Rio Grande do Sul e do governo federal, em Brasília, já têm em mãos o plano de segurança para impedir atos de violência nas MANIFESTAÇÕES PREVISTAS PARA O DIA 24, EM PORTO ALEGRE, QUANDO O TRF-4 JULGARÁ RECURSO DO EX-PRESIDENTE LULA CONTRA A CONDENAÇÃO DO JUIZ SERGIO MORO NO CASO DO TRÍPLEX DO GUARUJÁ. UM GABINETE DE CRISE FOI MONTADO COM A PARTICIPAÇÃO DE ORGÃOS COMO A BRIGADA MILITAR, QUE FAZ O POLICIAMENTO OSTENSIVO, A POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL, QUE ACOMPANHARÁ A CHEGADA DE MANIFESTANTES NAS ESTRADAS, E A AGÊNCIA BRASILEIRA DE INTELIGÊNCIA (ABIN), QUE JÁ MONITORA A PREPARAÇÃO PARA OS ATOS.
PERGUNTAS E RESPOSTAS: Se condenado, Lula poderá ser
candidato?
O plano de segurança, preparado pelo governo estadual, deve
ser aprovado na semana que vem, após a análise técnica dos demais órgãos
envolvidos. Já está decidido que haverá convocação de policiais de várias
regiões do estado, inclusive com a chegada de contingentes hoje deslocados para
as praias do litoral gaúcho. O Parque da Harmonia, que fica em frente à sede do
TRF-4, e todo o entorno do prédio do tribunal, deve ter bloqueios, com esquema
especial para a entrada de funcionários e das partes no dia do julgamento.
As Forças Armadas e a Polícia Federal também participam do
plano de segurança, além da prefeitura de Porto Alegre, que provocou polêmica
ao solicitar o envio de tropas do Exército para compor o esquema de segurança.
— O poder de manifestação estará garantido, como prevê a
Constituição. Não há nenhum interesse do governo do estado em impedir
manifestações. Porém, o limite da manifestação é o limite da lei. Vamos atuar
para evitar a violência e assegurar a segurança dos manifestantes e de quem
estiver dentro do tribunal — afirmou o secretário de Segurança do Rio Grande
Sul, Cezar Schirmer.
Movimentos sociais ligados ao PT, como o MST e a CUT, estão
convocando seus militantes para estarem em Porto Alegre durante o julgamento,
em ato de apoio a Lula e contra a condenação a nove anos e seis meses de
prisão. Se confirmada em segunda instância, o ex-presidente poderá ser preso
após exaurir os recursos ao próprio TRF-4 e ficar inelegível e, portanto, pode
ter sua eventual candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral.
Com a proximidade do julgamento, Porto Alegre vive um clima
de boatos espalhados por meio de grupos de whatsapp. Um acidente na BR-471, que
leva até o Chuí, na fronteira com o Uruguai, ocorrido no primeiro dia do ano e
que deixou oito mortos, entre eles quatro cubanos, gerou comentários de que os
cubanos estariam se aglutinando em território uruguaio para retornar ao Brasil
no dia do julgamento de Lula e participar do protesto. O governo do estado, no
entanto, considera esta hipótese praticamente descartada. A princípio, as
investigações apontam que os uruguaios pretendiam entrar no Uruguai e usar o
país como rota para chegar aos Estados Unidos.
Em dezembro passado, o ex-ministro José Dirceu convocou a
militância do PT a ir a Porto Alegre e chegou a classificar como “dia da
revolta”. No site diretório municipal do partido em Ribeirão Preto, o texto
afirmava que “a hora é de ação, não de palavras, transformar a fúria e revolta,
a indignação e mesmo o ódio em energia, para a luta e o combate”.
Além dos manifestantes ligados ao PT, também o MBL está convocando
manifestação de apoio à sentença do juiz Sergio Moro, que condenou Lula a nove
anos e seis meses de prisão. Os dois grupos não deverão se encontrar. Enquanto
os manifestantes pró-Lula querem se reunir em locais próximos ao TRF-4, o MBL
convocou manifestação para o Parque Moinhos de Vento, conhecido como Parcão e
localizado numa área nobre da cidade.
O procurador regional dos direitos do Cidadão no Rio Grande
do Sul, Enrico Freitas, realizou na última segunda-feira uma reunião com cerca
de 12 representantes de movimentos sociais, entre eles MST e CUT, para ordenar
ações que impeçam atos de violência.
FONTE: O GLOBO

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