quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Preso, ex-secretário de Saúde pede para fazer cirurgia fora do AM e Justiça nega

Preso, ex-secretário de Saúde pede para fazer cirurgia fora do AM e Justiça nega

Segundo defesa, juiz considerou insuficientes documentos reunidos em pedido.

Wilson Alecrim é um dos ex-secretários investigados na operação 'Maus Caminhos' (Foto: Ariane Alcântara/G1 AM)Wilson Alecrim é um dos ex-secretários investigados na operação 'Maus Caminhos' (Foto: Ariane Alcântara/G1 AM)
Wilson Alecrim é um dos ex-secretários investigados na operação 'Maus Caminhos' (Foto: Ariane Alcântara/G1 AM)
O ex-secretário de Saúde Wilson Alecrim teve negado um pedido para fazer uma cirurgia fora do Amazonas. Ele está preso no Centro de Detenção Provisória 2 (CDPM 2), em Manaus, por suspeita de envolvimento em um esquema de desvio de verbas investigado na operação "Maus Caminhos".
Ao G1, a defesa de Alecrim disse que o ex-secretário precisa fazer uma prostatectomia radical robótica, procedimento que, segundo ele, não é feito em Manaus. Essa cirurgia é indicada para tratamento de câncer na próstata.
O pedido era para realização do procedimento em São Paulo, no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, e foi indeferido pelo juiz federal Luiz Felipe, substituto da magistrada Ana Paula Serizawa.
"Como observado pelo MPF (Ministério Público Federal) em seu parecer, o Requerente não comprovou que o supracitado procedimento médico não poderia ser realizado no município de Manaus/AM", diz trecho da decisão.
O advogado Alberto Simonetti disse que deve entrar com novo pedido. "O juiz não considerou suficiente os documentos juntados. Novos documentos serão juntados e o pedido vai ser renovado", explicou.
Wilson Alecrim foi preso durante a operação "Custo Político", na segunda fase da operação "Maus Caminhos". Ele e outros ex-secretários são suspeitos de integrar uma organização criminosa que desviou mais de R$ 20 milhões da área da Saúde.

Maus Caminhos

O grupo é suspeito de participar de um esquema de desvio de verbas na Saúde do Estado. A Maus Caminhos apontou o envolvimento deles em 2016. Ex-secretários e o ex-governador José Melo estão entre os presos ao longo das três fases da operação.
Os investigados possuíam contratos firmados com o Governo do Estado para a gestão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Campos Sales, em Manaus; da Maternidade Enfermeira Celina Villacrez Ruiz, em Tabatinga; e do Centro de Reabilitação em Dependência Química (CRDQ) do Estado do Amazonas, em Rio Preto da Eva.
A gestão dessas unidades de saúde era feita pelo Instituto Novos Caminhos (INC), instituição qualificada como organização social.
A investigação que apontou a existência da fraude iniciou a partir de uma análise da Controladoria Geral da União (CGU) sobre a concentração atípica de repasses do Fundo Estadual de Saúde ao INC.
Segundo a PF, o grupo utilizava o instituto para fugir dos procedimentos licitatórios regulares e permitir a contratação direta de empresas prestadoras de serviços de saúde administradas, direta ou indiretamente, por Mouhamad Moustafa, apontado como chefe do esquema.
As investigações que deram origem à operação demonstraram que, dos quase R$ 900 milhões repassados, entre 2014 e 2015, pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS) ao Fundo Estadual de Saúde (FES), mais de R$ 250 milhões teriam sido destinados ao INC.
Ainda segundo a PF, a movimentação financeira do ex-governador do Amazonas é considerada incompatível com a renda dele. Melo teria recebido dinheiro em espécie do médico Mouhamad Moustafa.
"Nota técnica da CGU [Controladoria-Geral da União] aponta indícios de enriquecimento de José Melo, especialmente em virtude da aquisição de um imóvel de alto valor, avaliado em cerca de R$ 7 milhões, além de reformas vultuosas em sítio também de sua propriedade", informou comunicado do MPF.

Presos nas três fases da Maus Caminhos

  • José Melo, ex-governador do Amazonas - prisão preventiva;
  • Evandro Melo, irmão dele e ex-secretário de Administração e Gestão - prisão preventiva;
  • Wilson Alecrim, ex-secretário de Saúde - prisão preventiva;
  • Afonso Lobo de Moraes, ex-secretário de Fazenda - prisão preventiva;
  • Pedro Elias, ex-secretário de Saúde - prisão preventiva;
  • Edilene Gomes Oliveira, ex-primeira-dama - prisão preventiva

Também são suspeitos

  • Raul Zaidan, ex-chefe da Casa Civil;
  • Mouhamad Moustafá, médico
Raul Zaidan e Mouhamad Moustafá tiveram indeferidos pedido de prisão preventiva. A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) confirmou que eles foram liberados.
Além de Moustafá e Zaidan, a decisão também envolve Keytiane Evangelista e José Duarte Filho. No documento, o juiz plantonista Wendelson Pereira Pessoa pontua que não foram verificados "fatos novos aptos à decretação de prisão preventiva dos investigados".

G1

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