quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Chove abaixo da média histórica por três anos seguidos no DF

Chove abaixo da média histórica por três anos seguidos no DF

Em 2017, as precipitações registraram volume 15,3% inferior ao esperado para 12 meses. Boa notícia é que deve haver fartura de água em 2018

METRÓPOLES 
Nem o grande volume de chuva registrado em dezembro foi suficiente para garantir que 2017 alcançasse a média histórica anual prevista pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). São esperados, para 12 meses, 1.540,6mm, mas caíram do céu 1.303,6mm, uma redução 15,3%. Trata-se do terceiro ano consecutivo abaixo do índice considerado ideal.
As precipitações do ano passado, porém, ocorreram com mais intensidade do que as computadas em  2015 e 2016, quando choveu 18,6% e 25,3% abaixo da média, respectivamente. Há dois anos, a quantidade inferior de água agravou a crise hídrica. No início de 2016, inclusive, os brasilienses passaram a enfrentar o racionamento de água.
O professor do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB) Gustavo Baptista explica que nos últimos anos o Oceano Pacífico tem estado em maior influência do La Niña, fenômeno que confere resfriamento. Para regiões como o Centro-Oeste, porém, o efeito é contrário. “Isso intensifica as condições climáticas. A seca fica mais prolongada”, esclarece.
A meteorologista do Inmet Odete Chiesa comenta ser normal ocorrer variação acima ou abaixo da média. Ela alerta, entretanto, para a necessidade de preservar o recurso constantemente. Para os próximos dias, a profissional do tempo faz previsões otimistas.
Há boa expectativa de chuva, pelo menos para os próximos 15 dias. Além disso, a climatologia está apontando que as precipitações de janeiro, fevereiro e março vão ficar dentro da média"
Odete Chiesa, meteorologista do Inmet
Pelos prognósticos da consultora e meteorologista do Inmet Ingrid Peixoto, é possível que no primeiro trimestre de 2018 chova até 35% a mais do que o esperado para o período. As pancadas devem vir acompanhadas de rajadas de vento, trovoadas e raios. A média histórica dos primeiros três meses do ano é de 645,5mm, mas, se as previsões se concretizarem, deve chegar a 871,4mm.
ReservatóriosAs chuvas das últimas semanas têm ajudado a recuperar os reservatórios de água que abastecem o Distrito Federal. A barragem do Descoberto — responsável por abastecer 60% do DF — fechou o ano de 2017 com nível em 30,1%, mesmo percentual do sistema de Santa Maria.
Na terça-feira (2/1), após meses, o maior reservatório da cidade voltou a apresentar quantidade de água superior à bacia de Santa Maria. Enquanto o primeiro encerrou o dia com 30,7% de sua capacidade, o segundo ficou em 30,5%. Até a publicação deste texto, a Agência Reguladora de Águas (Adasa) não havia atualizado os números desta quarta (3/1).
Apesar de ainda não apresentarem segurança hídrica capaz de fazer o governo encerrar o racionamento na cidade, a análise é menos pessimista, principalmente na bacia do Descoberto, que apresentou desempenho melhor no último dia de 2017 em comparação a 31 de dezembro de 2016, quando o reservatório estava com 22,2% da sua capacidade.
 

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