quarta-feira, 22 de novembro de 2017

ESPÍRITO SANTO

Pedreiro morto durante tiroteio em ônibus no ES já havia sido assaltado na mesma linha, diz enteado

Pedreiro Anízio Gomes, de 62 anos, estava dentro do ônibus no momento do assalto e foi atingido durante troca de tiros entre policial e criminosos.

Enteado de pedreiro morto em tiroteio (Foto: Marcelo Prest/ A Gazeta)Enteado de pedreiro morto em tiroteio (Foto: Marcelo Prest/ A Gazeta)
Enteado de pedreiro morto em tiroteio (Foto: Marcelo Prest/ A Gazeta)
O enteado do pedreiro Anízio Gomes, de 62 anos, morto durante um tiroteio em um ônibus em Guarapari, no Espírito Santo, nesta terça-feira (21), disse que a vítima já havia sido assaltada na mesma linha. “Naquele ponto do trevo da Rodovia do Sol é sempre assim, sempre tem assalto”, falou o vigilante Lucas Gomes Barbosa, de 32 anos.
O assalto aconteceu no fim da tarde desta terça-feira (21), quando o coletivo que fazia a linha Dom Bosco (Vitória) x Ipiranga (Guarapari) passava pela Rodovia do Sol. Dois criminosos armados anunciaram o assalto depois que o ônibus passou pela pedágio da Rodosol.
Eles se passavam por passageiros e, de repente, começaram a exigir celulares das vítimas, abordando também um guarda municipal que estava fardado e roubaram a arma dele. Um soldado da Polícia Militar que estava de folga, à paisana, tentou impedir o crime dando voz de prisão, mas a dupla reagiu atirando.
Lucas contou que ficou sabendo do ocorrido pela mãe, que recebeu uma ligação do policial que estava no ônibus.
“Ele mesmo, no ônibus, mandou o policial ligar para minha mãe, que me ligou e falou que meu padrasto tinha sido baleado. Eu corri lá imediatamente e presenciei aquela cena. Ele teve cinco paradas cardíacas”, contou.
O enteado disse que Anízio teve quatro perfurações no corpo, que atingiram o pulmão e quebraram uma costela. “Eles fizeram o possível. Vieram dois médicos, tentaram reanimá-lo umas três, quatro vezes e não teve como”, falou.

Escola

As duas escola onde a professora Denise Fabiane Queiroz, que também morreu no assalto, trabalhava, em Vila Velha e em Guarapari na Grande Vitória, decretaram luto e suspenderam as aulas nesta quarta-feira (22).
A secretária da Unidade Municipal de Ensino Infantil (UMEI) Prof.ª Ana Maria Fontes Lyra, em Ponta da Fruta, Vila Velha, Cristina Maria Lima, disse que Denize dava aulas para 25 alunos, sendo crianças de quatro anos de idade.

Testemunha

A sobrinha da professora disse que viveu momentos de desespero dentro do coletivo. Adriana Queiroz estava com a tia dentro do ônibus e relatou os momentos de pânico.
“Nós entramos no ônibus, ela sentou, passou o pedágio ali e começou ‘celular, celular, celular’. Aí foi tiro da frente e tiro para trás e começou. Quando ela levou, ela falou ‘eu vou morrer’ e ela morreu mesmo. Passageiros gritaram, se abaixaram, minha amiga levou um tiro de raspão na cabeça. Foi um desespero dentro do ônibus. Eu nunca vi tanto tiro na minha vida”, contou.
Arrasado, o marido da professora contou que ela já tinha sido assaltada dentro do ônibus da mesma empresa.
“Já tinha sido assaltada, todos nós dentro do ônibus já presenciou assalto. Quem viaja nessa linha sabe que isso aqui é uma coisa horrorosa. Sempre acontece, mas infelizmente os policiais não podem estar ao nosso lado em todas as horas”, disse o professor Walter Bezerra.
Marcas de tiros deixadas na frente do ônibus (Foto: Rodrigo Maia/TV Gazeta)Marcas de tiros deixadas na frente do ônibus (Foto: Rodrigo Maia/TV Gazeta)
Marcas de tiros deixadas na frente do ônibus (Foto: Rodrigo Maia/TV Gazeta)

G1

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