quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Deputados criticam dependência externa na área de fertilizantes

Deputados criticam dependência externa na área de fertilizantes

Representante da Embrapa alerta que produção nacional só atende mais uma safra
Audiência pública sobre a exploração de jazidas de fósforo e potássio
Vinícius Loures/Câmara dos Deputados
Os deputados da Comissão de Minas e Energia da Câmara defenderam hoje, em audiência pública, uma ação política coordenada para mudar o fato de que o Brasil tem que importar 80% dos insumos para a fabricação dos fertilizantes que consome. De acordo com os convidados ouvidos, a dependência, que chega a 95% no caso do potássio, deixa os agricultores a mercê da produção de poucos países.
José Carlos Polidoro, da Embrapa, disse que o Brasil tem produção suficiente para apenas uma safra. “Quem milita no tema há muito tempo sabe o que aconteceu em 2008. Que foi só ter um probleminha lá na Rússia com a jazida de potássio deles. Pisaram no tubo lá dos 4 grandes fornecedores de potássio. E o preço de todos os fertilizantes NPK praticamente dobraram da noite para o dia. Isso aconteceu num ano. Voltou ao normal? Voltou. Mas é um alerta que nós temos que ter”, disse.
Reservas
Ao mesmo tempo, o deputado Reinhold Stephanes (PSD-PR) lembrou que o país tem grande potencial de exploração, sendo que o Amazonas pode conter a terceira reserva de potássio do mundo. Segundo Vicente Lôbo, do Ministério de Minas e Energia, faltam investimentos no setor que poderiam ser atraídos tanto com incentivos fiscais quanto com a exigência de contrapartidas das empresas que adquirem áreas de exploração.
O deputado Ronaldo Benedet (PMDB-SC) disse que também existe uma ação de grupos estrangeiros contra a exploração de áreas como a Renca, Reserva Nacional de Cobre e Associados, no norte do Pará, que tem reservas de fosfato; e Anitápolis, em Santa Catarina, que também tem o mineral.
"Fizeram um ‘auê’ em cima da questão ambiental e não deixaram nós termos a nossa autossuficiência em fósforo, que é a nossa reserva lá de Anitápolis. Com argumento de que destruía a natureza, não ia mais ter água. Engenharia ambiental e estudos ambientais existem para você aprender, você saber usar a natureza com todas as técnicas de mineração. Se fosse assim, não pode mais ter mineração em lugar nenhum do mundo", afirmou o parlamentar.
Renca
Em Anitápolis, a ONG Montanha Viva conseguiu uma liminar judicial contra o projeto de retirada do fosfato, alegando riscos ambientais e sociais. Já a Renca teve sua abertura anunciada este ano pelo governo, mas a decisão foi revista após uma intensa repercussão negativa entre os ambientalistas.
Reportagem - Silvia Mugnatto
Edição – Roberto Seabra

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