quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Corra pro Abraço

Corra pro Abraço promove batalhas de poesia e rap com pessoas em situação de rua

O Programa Corra pro Abraço, iniciativa da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social do Estado da Bahia (SJDHDS), realiza na tarde desta quinta-feira (30), no âmbito do mês da Consciência Negra e das ações do Novembro Negro, o evento ‘Poesia Marginal – Quem sou eu? Negritude nasce e gira arte!’, das 15 às 19h, na Praça do Campo da Pólvora, Nazaré, em Salvador. O objetivo é, a partir de diversas expressões, despertar, conhecer e visibilizar a produção artística negra nas ruas, trabalhando resistência, voz, protesto e protagonismo destas pessoas, promovendo reflexões sobre identidades e pertencimento.

O evento contará com batalhas de poesia e rap e a participação de artistas e coletivos, como a poeta Lívia Natália, o escritor Jairo Pinto, os grupos Batalha no Park e de Arte Popular A Pombagem, entre outros. Também haverá concurso de poesia entre os assistidos do programa. Confirmaram participação a poeta Livia Natália, o escritor Jairo Pinto, a escritora Joana Flores, a jornalista e idealizadora do Mais Amor Entre Nós, Sueide Kintê, o poeta Tiago Gato Preto, o grupo Juntos pela Arte e Educação na Rua (Jaer), o artista Antônio Costa, os atores Leno Sacramento e Sergio Laurentino, do Bando de Teatro Olodum, os grupos Batalha no Park e Arte Popular A Pombagem, o Coletivo Atuar e o Coletivo ZeferinaS.

Para a coordenadora pedagógica do Corra pro Abraço, Trícia Calmon, um dos principais intuitos a ser alcançado com essa intervenção urbana é refletir sobre os sentidos da poesia marginal, partindo de onde vem e sua construção. “É importante fomentar a produção artística junto aos assistidos do programa, visibilizar a produção de quem já se expressa a partir da poesia e da música na rua e reunir artistas, poetas e músicos, negros, junto a esses sujeitos que a partir da rua vão contando suas histórias”.

Segundo a pesquisa ‘Cartografia dos Desejos e Direitos: Mapeamento e Contagem da População em Situação de Rua na Cidade de Salvador’, realizada pelo Projeto Axé, das 22.498 pessoas em situação de rua na capital baiana, 88,9% são negras (entre pretos e pardos). Essa estatística reflete o racismo institucionalizado, ou seja, a discriminação racial que se reflete no cotidiano produzindo estigmas e fundando desigualdades e o descaso com a vida de homens e mulheres negros/as e empobrecidas.

“A negação da existência do racismo pela sociedade é uma barreira para que a cidadania destas pessoas seja reconhecida, dificultando o acesso a rede de cuidado e atenção, no que diz respeito a saúde, justiça e assistência social”, destaca a Superintendente de Políticas de Drogas e Atenção à Populações Vulneráveis (Suprad/SJDHDS), Denise Tourinho.

O Corra pro Abraço já utiliza em sua metodologia de trabalho cotidiana debates sobre enfrentamento ao racismo e relações raciais. E, neste mês, intensificou a discussão em suas atividades de arte-educação e comunicação, como leitura e interpretação de músicas, contação de histórias e leituras de poesia marginal.

Fonte: Ascom/projeto Corra pro Abraço/SJDHDS 
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