quarta-feira, 29 de novembro de 2017

BTCA estreia projeto que pauta a diversidade

BTCA estreia projeto que pauta a diversidade

Companhia pública de dança da Bahia, o Balé Teatro Castro Alves (BTCA) se posiciona nos tempos contemporâneos e estréia no próximo dia 30, em Salvador, um projeto artístico que, aliando tecnologia, redes informacionais e audiovisual, desenvolve temas urgentes que resguardam a diversidade e mobilizam lutas de minorias sociais. O ‘Urbis in Motus’ (cidade em movimento, em latim) resulta de um processo criativo em dança que engajou os dançarinos em reflexões continuadas a respeito de racismo, LGBTfobia e misoginia.

Em cena, o público presenciará a interação de performance e coreografia ao vivo, videomapping e intervenção urbana, em circulação em espaços públicos de Salvador, incorporando, assim, também pensamentos a respeito de cidade, ocupação, patrimônio histórico-cultural e memória. A temporada de quatro apresentações se inicia, na Esplanada da Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA), seguindo, em dezembro, para o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), no dia 1º, Forte de Santo Antônio Além do Carmo (7), finalizando na Concha (8), sempre às 19h e livremente aberta ao acesso do público.

‘Urbis in Motus’ é uma proposição de David Cavalcanti (VJ Gabiru), juntamente com o diretor artístico do BTCA, Antrifo Sanches, e a assessora artística da companhia, Dina Tourinho, com o suporte do Núcleo de Pesquisa do Balé. Dois artistas-pesquisadores foram convidados para desenvolver as coreografias com a companhia - os professores da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e diretores teatrais Djalma Thürler, instigado pelas questões de LGBTfobia, e Meran Vargens, com o tema da misoginia. Já a pauta do racismo será abordada em um videodança, exibindo um solo do bailarino Renivaldo Nascimento (Flexa II).

BTCA
Foto: Fábio Bouzas/TCA

Para este trabalho coletivo e reflexivo, o BTCA e sua equipe, diretores e coreógrafos, assim como os criadores do figurino e da trilha sonora, atuaram de forma dialógica por um período de três meses, desde o último mês de agosto. Questionar intolerâncias e acionar diferentes linguagens artísticas para expressar poeticamente a defesa das liberdades foram os guias desta produção.

Argumento 

Se, por um lado, bilhões de smartphones, computadores e outros dispositivos estabeleceram um fluxo de comunicação global, a tão conceituada “aldeia global”, tem avançado em todo o mundo uma onda de conservadorismo – seja pelas zonas de guerra, regimes totalitários, fundamentalismos religiosos, ditaduras do mercado de capitais, avanço de ideias fascistas, retrocesso de direitos civis, sociais e trabalhistas.

Distâncias foram encurtadas, mas vê-se emergir um paradoxo sobre a ideia de solidariedade. As fronteiras se enrijecem, intolerâncias ficam nítidas e a negação do outro toma o lugar da celebração e da vivência da diversidade, o que ainda ressoa no esvaziamento dos espaços coletivos de convivência nas cidades. ‘Urbis in Motus’ propõe o diálogo entre estas tantas ideias, colocando a produção artística em seu papel fundamental de liberdade, unindo multimídia e interatividade para destacar aquilo que temos de humanidade. O BTCA vai para as ruas, para mais perto das pessoas, se alinhando a um movimento mundial de criação de obras contemporâneas que dialogam com o patrimônio histórico-arquitetônico, discutem o acesso à arte e o próprio espaço da arte no cotidiano das cidades e das pessoas.

BTCA


Companhia pública de dança contemporânea fundada em 1981, o BTCA é corpo artístico estável mantido pela Secretaria de Cultura do Estado (Secult), por meio do TCA e Fundação Cultural (Funceb). Tem como diretor artístico o dançarino, coreógrafo, produtor e professor, Antrifo Sanches.

Fonte: Ascom/Teatro Castro Alves (TCA)

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