Com seis meses de atraso, velódromo é entregue: saiba por que demorou
Obra que mais deu dor de cabeça à Prefeitura e ao Rio 2016, arena do ciclismo de pista é entregue sem evento-teste e com treino. Problemas começaram na licitação
Seis meses após a previsão de conclusão - quarto trimestre de 2015 - o velódromo das Olimpíadas será finalmente entregue na tarde deste sábado, faltando 41 dias para os Jogos. Trata-se da única instalação olímpica a não ter recebido um evento-teste. Após cerimônia com o prefeito Eduardo Paes e o presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, ciclistas farão um treino de reconhecimento da pista. A atividade vai se repetir domingo e segunda-feira.
Atrasos, empreiteira em recuperação judicial, projeto executivo equivocado, aditivo, rescisão de contrato, pista delicada e eventos-testes cancelados fizeram parte da novela desta obra que custou aos cofres do governo federal R$ 143 milhões, e se tornou a maior dor de cabeça da Prefeitura e da organização dos Jogos. Nenhuma das entidades informou o percentual atual da obra, que embora perto ainda está para ser totalmente concluída. Nesta semana, a fachada, maior preocupação do COI e da União Ciclística Internacional, começou a receber placas de metal. Em sete tópicos, saiba como foi a tortuosa corrida contra o relógio do velódromo.
Velódromo do Pan não servia
O Rio de Janeiro já tinha um velódromo construído para os Jogos Pan-Americanos de 2007, logo ali na área aonde era o autódromo de Jacarepaguá, e que deu lugar ao Parque Olímpico. Porém, a capacidade de público abaixo da exigida pelo COI, e a presença de duas pilastras no centro, que atrapalhavam a visão total da pista, impediam que ele fosse usado nas Olimpíadas. A Prefeitura estipulou que a reforma para adequá-lo custaria R$ 124 milhões, por isso optou por construir outro. Na época, o velódromo do Pan custou R$ 14 milhões (cerca de R$ 21 milhões em valores atualizados). Foi desmontado para ser reconstruído na cidade paranaense de Pinhais, o que até agora não aconteceu.
Empreiteira em recuperação judicial ganhou licitação
A Tecnosolo ganhou a licitação para construir o novo velódromo por um custo inicial de R$ 118 milhões. Mesmo em recuperação judicial, por lei uma empreiteira pode concorrer e vencer uma licitação. A obra deveria ter começado em fevereiro de 2014, mas demorou quatro meses, segundo a empresa, por erros no projeto executivo fornecido pela Prefeitura, responsável pela execução da obra. As estacas eram menores do que precisavam ser para sustentar a estrutura. Questão resolvida graças a um aditivo de R$ 24,8 milhões. Beirando a falência, a Tecnosolo não conseguia imprimir um ritmo semelhante ao das obras vizinhas. Foi notificada pela Prefeitura por pelo menos duas vezes.
Socorro da Tecnosolo
Em março de 2016, sem dar conta sozinha dos prazos, a Tecnosolo pediu a contratação de outra empreiteira, a Engetécnica, quando a obra atingia 83%. Faltavam o acabamento nos banheiros, pintura, cerâmica e as redes de água, esgoto e baixa tensão, além da pista.
<b>Prefeito não admitia atrasos</b>
Por muito tempo o prefeito Eduardo Paes minimizou a situação. Falava em atraso controlado, até que em abril culpou a lei que permite a participação de empresas em recuperação judicial. Por fim, admitiu que o velódromo foi o maior calo no pé dos Jogos.
A delicada pista que veio do frio
A entrada da Engetécnica coincidiu com o início da instalação da pista de pinho siberiano. O sistema de ar-condicionado deveria funcionar perfeitamente para que a madeira não fosse afetada. Esta etapa do trabalho ficou por conta do Comitê Rio 2016. Também houve atraso no início da montagem da pista.
Evento-teste cancelado duas vezes
O velódromo é a única instalação olímpica sem ter recebido um evento-teste, cancelado por duas vezes. A primeira, entre os dias 18 e 20 de março, e a segunda, entre 30 de abril e 1º de maio. No fim de abril ciclistas testaram a pista informalmente para testar a fixação da camada de borracha, como revelou O Globo.
Prefeitura rescinde contrato da Tecnosolo
A presença da Tecnosolo foi diminuindo até a Prefeitura rescindir o contrato no dia 17 de maio, quando a obra atingia 88%. Coube à Engetécnica finalizar a obra. A pista estava pronta. Faltavam o paisagismo e a pavimento e instalação de placas metálicas pré-moldadas da fachada. O COI chegou a não contar com esta parte da obra finalizada para os Jogos.
Fonte: GE
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