sexta-feira, 7 de março de 2014

Estaduais causam desperdício de R$ 65 milhões aos grandes

Com o sumiço da torcida, este é o valor que os 12 principais clubes do Brasil deixam de faturar graças aos milhares de assentos vazios, a cada rodada, nos estaduais. Times grandes vendem menos de um quarto dos ingressos



Clique e veja quanto os times já deixaram de<br> ganhar nos dois primeiros meses dos estaduais (Correio Braziliense)
Clique e veja quanto os times já deixaram de
ganhar nos dois primeiros meses dos estaduais
Apenas 375 pessoas pagaram ingresso, na noite da quarta-feira de cinzas, para ver o Flamengo derrotar o Bonsucesso por 2 x 0 em Volta Redonda, pela 12ª rodada do Campeonato Carioca. O resultado foi uma renda bruta de R$ 11.710, incapaz de cobrir o total de despesas da partida, R$ 69.145,68. Nesse caso, quem levou o prejuízo foi a equipe do subúrbio do Rio, mandante do jogo, mas os gigantes do futebol nacional também têm penado para levar torcedores aos estádios — e lucrar com isso — nos estaduais de 2014.

Levantamento do Correio mostra que a média de ocupação dos 12 grandes times do país nesses campeonatos é de apenas 23,4%, menos de um quarto dos assentos das arenas. O Corinthians, dono da melhor frequência de público, levou 13.342 torcedores por partida. O Botafogo, o pior de todos, só conseguiu vender 1.450 ingressos por jogo no Carioca (em três deles, não chegou a 800 pagantes).

Esses milhares de assentos vazios, rodada após rodada, significam um desperdício de dinheiro enorme. Os gigantes de Rio, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul tiveram renda bruta de R$ 3.177.942 neste início de temporada. Se vendessem 100% dos tíquetes disponíveis, teriam faturado, juntos, cerca de R$ 72 milhões a mais. Na verdade, esse número poderia ser ainda maior, pois o cálculo foi feito a partir da média de preço dos ingressos vendidos, e sabe-se que são justamente os mais caros que encalham nas bilheterias.

Mesmo que não seja viável esperar uma taxa de ocupação próxima de 100% — como ocorre nas ligas inglesa e alemã —, o prejuízo segue gigantesco se for calculado o dinheiro desperdiçado pelos brasileiros ao não vender ao menos 90% do ingressos, seguindo os exemplos de Real Madrid, Juventus e Paris Saint-Germain. Ainda assim, a perda ficaria em R$ 65.082.633,06. Para se ter uma ideia do tamanho do rombo, o Cruzeiro gastou R$ 40 milhões para montar o elenco campeão brasileiro, no ano passado.

O Flamengo, clube de maior torcida do país, deixou de somar R$ 11.725.701,84 nas rendas brutas de seus seis jogos como mandante no estadual do Rio. O rubro-negro vendeu 8.579 ingressos por partida. Mesmo assim, tem a melhor média de renda do ano entre os grandes — R$ 464.087 —, “mérito” do ingresso mais caro (R$ 48,94 por tíquete vendido).

Nem mesmo os clássicos salvam o cenário. Até agora, 10 duelos foram realizados nos quatro campeonatos analisados. Somente neles, houve um desperdício de R$ 14.802.403,37 com ingressos encalhados, considerando-se a expectativa de 90% de lotação. Apenas 37,96% das entradas foram vendidas nos grandes jogos — quatro no Rio, quatro em São Paulo, um em Minas e um no Rio Grande do Sul —, para um público médio de 16.427. Sinal de que nem a tradição salva o fiasco dos estaduais.

FONTE: SUPER ESPORTES 

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