STF adia análise de recurso que pode levar a novo julgamento para 12 condenados
O STF (Supremo Tribunal Federal) concluiu nesta quinta (5) a análise de
todos os pedidos de redução de pena dos condenados no mensalão, mas não
decidiu se 12 réus terão ou não direito a novo julgamento.
Apenas o presidente do STF, Joaquim Barbosa, se posicionou sobre os
embargos infringentes, recursos que podem levar a um novo julgamento de
réus condenados por placares apertados, com pelo menos quatro votos pela
absolvição. Ele foi contrário à medida.
Após o voto de Barbosa, o ministro Luís Roberto Barroso propôs que a
corte aguardasse até a semana que vem para que os advogados pudessem se
manifestar sobre o tema.
Isso porque a viabilidade dos embargos infringentes estava sendo
discutida pela corte devido a uma questão apresentada pela defesa do
ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.
Os demais advogados disseram que, caso o Supremo entenda que este tipo
de recurso não é válido, todos seriam prejudicados. Por isso, também
querem apresentar seus argumentos favoráveis aos embargos infringentes
antes que a corte tome sua decisão.
Caso o STF decida pela viabilidade deste tipo de recurso, condenados
como o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente do PT José Genoino
serão novamente julgados pelo crime de formação de quadrilha.
A dúvida na corte existe porque os "embargos infringentes" estão
previstos no regimento interno do STF, mas não constam numa lei de 1990
que regula os processos no Supremo e no STJ (Superior Tribunal de
Justiça).
Para Barbosa, a lei, na prática, revogou este tipo de recurso do
regimento interno do Supremo, por isso, ele não é mais cabível desde
1990.
O assunto voltará ao debate na próxima quarta (11).
| Pedro Ladeira/Folhapress | ||
| Os ministros Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski durante sessão do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal |
REDUÇÃO DE PENAS
Na reta final da apreciação do primeiro lote de recursos do mensalão,
quatro ministros mudaram seus votos e se posicionaram pela redução da
pena de condenados por formação de quadrilha.
A decisão do quarteto, contudo, não muda a decisão do julgamento porque
esses ministros representam uma minoria entre os 11 integrantes da
corte.
A divergência foi aberta na quarta (4) com o ministro Teori Zavascki,
que defendeu pena menor para oito condenados por formação de quadrilha,
entre eles o ex-ministro José Dirceu, apontado pelo próprio Supremo como
o chefe do esquema.
Nesta quinta, a tese foi apoiada pelos ministros Dias Toffoli, Ricardo
Lewandowski e Marco Aurélio Mello, que incluíram na lista um nono réu
--o ex-tesoureiro do PL (atual PR), Jacinto Lamas.
OUTROS RECURSOS
Nesta sessão, o STF também acolheu o recurso apresentado pelo réu João
Cláudio Genu, ex-assessor do PP, e reduziu sua pena de cinco para quatro
anos de prisão.
Pela pena original, Genu teria de iniciar o cumprimento de sua pena em
regime semiaberto. Com a decisão, sua pena, além do pagamento de multa,
poderá ser convertida em prestação de serviços comunitários. No entanto,
essa conversão não foi declarada pelo STF. Para isso, Genu poderá
apresentar novo recurso para que isso seja esclarecido, ou isso poderá
ser determinado no momento da execução da pena.
Além dele, O Supremo rejeitou o recurso apresentado pelo réu Rogério
Tolentino, ex-advogado do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza.
Com isso, está mantida a pena de 6 anos e 2 meses de prisão, pelos
crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ativa.
A defesa de Tolentino argumentava que outros condenados pelo crime de
corrupção passiva receberam penas mais brandas que ele, condenado por
corrupção ativa. Segundo ele, isso configura uma contradição na
sentença.
No entanto, sua tese foi derrotada por 6 votos a 5. Os vencidos foram
Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Teori Zavascki, Celso de Mello e
Marco Aurério Mello.
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